Diretor da OIT pede medidas urgentes para combater “globalização sem justiça social”
GENEBRA (Notícias da OIT) – O Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia, disse que são necessárias medidas urgentes para neutralizar o que qualificou como uma “globalização sem justiça social”, ao referir-se às crescentes diferenças de salário, emprego, crescimento produtivo e redução da pobreza que existem em nível mundial.
Em seu discurso perante a 97ª Conferência Internacional do Trabalho que se realiza nesta cidade, Somavia disse que “a OIT tem a oportunidade única para desempenhar um papel central em um sistema de governo global emergente que combine estabilidade financeira e investimentos para o desenvolvimento com comércio justo e trabalho decente”.
O Diretor-Geral da OIT também se referiu à atual situação financeira internacional e disse: “temos escutado falar muito sobre a crise financeira dos créditos subprime (ou de alto risco). Mas também existe o que eu chamaria de uma crise de ‘trabalho subprime’- trabalhos vulneráveis e deficientes – sem direitos fundamentais, sem seguridade básica e sem perspectivas de mobilidade social e dignidade”.
“Precisamos um novo equilíbrio de políticas com base em papéis que se reforcem mutuamente: o papel do Estado para gerar políticas públicas, o dinamismo produtivo do mercado, a voz democrática da sociedade e as necessidades e escolhas das pessoas, suas famílias e comunidades”.Somavia acrescentou que “muitos encontram esse equilíbrio na Agenda de Trabalho Decente e uma globalização justa”.
O Diretor-Geral da OIT disse que “uma globalização sem justiça social” está gerando um crescimento sem suficientes empregos de qualidade, uma crescente informalidade..., um aumento sustentado da produtividade, mas não de salários..., avanços na luta contra a extrema pobreza, mas com uma desigualdade cada vez mais profunda”.
Somavia também se referiu ao perigo que existe “na ameaça de uma crescente inflação, uma desaceleração econômica e inclusive de uma recessão e desemprego”, bem como da ameaça que significa a crise dos preços dos alimentos, que está “golpeando os orçamentos das famílias e dos trabalhadores pobres, em particular, e também as finanças dos governos”.
“São necessárias medidas de maneira urgente”, disse Somavia.
“Os governos devem unir-se para encarar os riscos que enfrentam as famílias que trabalham”.
“Com base nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, chegou o momento de desenvolver de maneira conjunta a noção de um piso social extensivo para evitar que as famílias caiam na indigência, para ajudá-las a superar a pobreza e para que possam subir na escala de oportunidades”, acrescentou Somavia.
O Diretor-Geral também se referiu a outras áreas de responsabilidade chave para a OIT, incluindo a necessidade de continuar promovendo empresas sustentáveis. “Com base no que temos feito, creio que podemos lançar uma grande iniciativa produtiva e com base no trabalho decente para a promoção e o desenvolvimento de pequenas, médidas e microempresas”.
Somavia também exortou a que se realize uma evolução ampla da iniciativa de empregos verdes da OIT e disse que “as mudanças científicas e as pressões sobre o meio ambiente implicarão uma adaptação importante por parte de empresas e trabalhadores”.
Ao referir-se aos direitos no trabalho, Somavia assinalou que este ano é celebrado o 60º aniversário da Convenção 87 da OIT sobre liberdade sindical e disse que “o estabelecimento de normas é a expressão máxima do diálogo tripartite que marca o caminho a seguir. Nos últimos dez anos, conseguimos um aumento de 50 por cento nas ratificações das oitos principais Convenções que sustentam a Declaração da OIT relativa aos Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho: trabalho forçado, trabalho infantil, discriminação e liberdade sindical e negociação coletiva. A ratificação universal está ao alcance. E, em meu informe (à Conferência) propus que esta seja uma meta para 2015”.
O Diretor-Geral disse que devido à sua singular estrutura tripartite, a OIT tem a oportunidade de avançar sobre objetivos comuns.
“Podemos ajudar a mudar as vidas dos desprotegidos: 80 por cento da população mundial. Podemos expandir de maneira significativa as oportunidades de trabalho para as 3 bilhões de pessoas que vivem na pobreza. Podemos ajudar a avançar até um padrão de crescimento sustentável e de trabalho intensivo. Podemos consolidar o respeito aos direitos e ao diálogo como um caminho produtivo até à paz”, assinalou.
09.06.2008