América Latina e Caribe devem estar alertas diante da crise na zona do euro

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Lima (Notícias da OIT) – O Escritório da OIT para a América Latina e o Caribe advertiu os países da região para estarem preparados para enfrentar o impacto negativo de um eventual aprofundamento da crise na zona do euro, o que poderia frear e inclusive reverter uma evolução positiva da taxa de desemprego dos últimos anos.
“Um aprofundamento da crise sem dúvida teria um impacto negativo na região e no mercado de trabalho em particular”, disse a Diretora Regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco, ao comentar um relatório da Organização segundo o qual na zona do euro corre-se o risco de um aumento do desemprego dos atuais 17,4 milhões de pessoas para 22 milhões nos próximos quatro anos.
O relatório da OIT sobre “Crise do emprego na zona do euro: tendências e políticas para enfrentá-la”, divulgado na semana passada em Genebra, faz um apelo aos países europeus para que adotem medidas específicas para aumentar os investimentos na economia real com o objetivo de impulsionar o crescimento e enfrentar a recessão laboral.
Tinoco disse que a crise na zona do euro, somada aos sinais de uma desaceleração da economia chinesa e a uma recuperação débil nos Estados Unidos, gera um “cenário de incerteza frente ao qual se prevê uma diminuição moderada da geração de emprego na região”.
Os dados mais recentes do Escritório Regional da OIT indicam que a taxa média de desemprego urbano da América Latina e do Caribe teve um importante ciclo de redução nos últimos anos e chegou a 6,7% em 2011. Em comparação, a taxa de desemprego na zona do euro chegou a 11% em abril.
Em 2012, quando se espera que ocorra uma desaceleração na taxa de crescimento económico regional para 3,7%, estima-se que a taxa de desemprego urbano poderia manter-se ou sofrer uma redução adicional muito moderada.
Mas no caso de persistir o cenário de crise nos países desenvolvidos e em importantes mercados para a região como a China “as taxas de desemprego aberto, que em muitas economias se encontram na atualidade em pisos históricos, começariam a mostrar um incremento modero”, explicou Tinoco.
A Diretora Regional da OIT lembrou que os países da região conseguiram resistir bem à crise de 2008 e se recuperaram rapidamente em grande medida graças à aplicação de um conjunto de medidas anticíclicas que se aproveitaram dos benefícios acumulados durante um período de crescimento econômico sustentado e da experiência de crises anteriores.
Diante de um novo cenário de crise “a margem de ação que vários países da região têm é menor”, devido ao fato de que haveria menos recursos disponíveis e a que o período de crescimento depois da recuperação de 2009 foi curto e de menor intensidade.
O Escritório Regional da OIT destacou que a menos que haja um agravamento da crise no futuro próximo não se prevê uma deterioração generalizada e importante da situação do emprego, mas é possível que o ciclo de redução do desemprego seja estancado e que a repercussão seja sentida sobre alguns setores, mais do que outros. Alguns países já começaram a tomar medidas preventivas para enfrentar eventuais impactos de uma crise maior.
Diante desse cenário recomenda aos países “a necessidade de contar com instrumentos de política de mercado de trabalho pontuais, ou de instrumentos de caráter preventivo”.
Entre as áreas de ação nas quais se pode intervir diante da crise, “considerando tanto a evolução do panorama mundial e seus efeitos nos países da região, assim como os contextos nacionais particulares para avaliar a conveniencia das medidas e sua modalidade de aplicação”, estão as seguintes:
·         Investimento público com emprego
·         Crédito a pequenas empresas
·         Proteção do emprego e negociação coletiva
·         Política de salário mínimo
·         Políticas de capacitação e intermediação laboral
·         Proteção diante do desemprego
·         Monitoramento dos direitos básicos no trabalho e fomento do diálogo social.

15/07/2012