Promovendo o Trabalho Decente

OIT apresenta novo Panorama Laboral da América Latina e Caribe

A crise deixou mais de 2 milhões de pessoas sem trabalho e a recuperação do emprego será lenta em 2010

O desemprego urbano chegou a 8,4% em 2009. Mais de 18 milhões de pessoas não conseguem emprego

A recuperação econômica já começou e se consolidaria em 2010, mas a taxa de desemprego cairá somente para 8,2%

 

É essencial manter o emprego como objetivo central das políticas públicas. As medidas anticrise contribuíram para amenizar os efeitos sobre o mercado laboral.

LIMA (Notícias da OIT) – Mais de 2 milhões de pessoas ingressaram nas filas do desemprego urbano na América Latina e no Caribe em 2009 devido à crise econômica e prevê-se que será difícil recuperar estes postos de trabalho em 2010 apesar dos prognósticos de maior crescimento econômico, alertou a OIT na nova edição de seu relatório anual Panorama Laboral.
“A recuperação do emprego será lenta em 2010 e por isso é necessário insistir nas políticas anticrise de 2009 que estiveram orientadas a gerar postos de trabalho e a proteger a rendaâ€, disse o Diretor Regional da OIT para a América Latina e o Caribe, Jean Maninat.
O relatório também destaca a situação do Brasil. De acordo com o estudo, no Brasil, a trajetória da taxa de desemprego mostra que a desocupação elevou-se de maneira importante no primeiro trimestre de 2009 para seis regiões metropolitanas. No entanto, este é único país dos examinados onde esta taxa cai no segundo e terceiro trimestres de 2009. Em relação à composição do emprego, observa-se que o emprego assalariado registra um crescimento positivo e diminui o trabalho por conta própria, em relação a 2008.
O emprego na indústria manufatureira foi o mais afetado pela crise, pois depois de expandir-se 3,9% entre janeiro e setembro de 2008, caiu 2,5% entre os mesmos meses de 2009, enquanto o setor de serviços e a construção foram os que mais geraram empregos. As estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, ratificam que até outubro haviam sido criados 1,16 milhão de empregos com proteção social.
De acordo com as estimativas do PIB para 2010 (CEPAL), o Brasil liderará o processo de recuperação do crescimento com cerca de 5%.

O Panorama Laboral da América Latina e Caribe 2009 destaca que a crise pôs fim a um ciclo positivo de cinco anos que havia permitido reduzir o desemprego urbano de 11,4% em 2002 para 7,5% em 2008. No ano de 2009 a taxa subiu novamente para 8,4%, de acordo com os dados disponíveis até o momento da conclusão do documento.
Ainda que seja menos de um ponto percentual de incremento, o relatório regional destaca que em termos absolutos significa que 2,2 milhões de pessoas se incorporaram ao grupo dos que buscam trabalho e não o conseguem. Desta forma, o número total de desempregados na região haveria chegado a 18,1 milhões de pessoas.
O relatório da OIT diz que se forem cumpridas as previsões de crescimento econômico de 4,1% (CEPAL), em 2010 haverá uma ligeira queda na taxa de desemprego urbano regional, para 8,2%. Acrescenta que embora seja uma evolução positiva, não será suficiente para reduzir o número total de pessoas afetadas pela falta de trabalho, que se manteria em torno de 18 milhões.
Por outro lado, o Panorama Laboral destaca que, de acordo com os dados disponíveis em um grupo de seis países, nesta conjuntura de crise houve um aumento da ocupação no setor informal, de 3,1%. Segundo estes dados, 57,1% das mulheres e 51% dos homens somente encontram ocupação no setor informal.
No entanto, o relatório nota que apesar do impacto da crise nos mercados laborais “os custos da crise em termos de trabalho decente foram inferiores ao que se esperava para a região em seu conjunto, pelo menos até o terceiro trimestre de 2009â€.
O Panorama Laboral diz, por exemplo, que não houve indícios de precarização generalizada do trabalho assalariado no setor formal, no grupo de seis países para os quais se dispõe de microdados nas pesquisas de emprego de 2009.
Por outro lado, o relatório nota que a taxa de desemprego regional registrou um aumento menor do que o previsto em alguns momentos da crise, em parte devido ao fato de que em meados de 2009 começaram a manifestar-se sinais de recuperação econômica em alguns países.
Mas também aponta como dado relevante que em 2009 não houve aumento na taxa de participação entre a população em idade de trabalhar e, por tanto, a oferta de força de trabalho foi menor. Isto é atribuído ao fenômeno de ‘desalento’ por parte dos que não conseguem trabalho, especialmente os jovens que haviam optado por ficarem forma do mercado de trabalho.
O Panorama Laboral também destaca a importância das políticas anticrise. “Os países aplicaram um enfoque que aposta na necessidade de estimular o crescimento, o investimento, o emprego e o consumo da população, o que permitiu atenuar o impacto da crise mundial sobre o mercado laboral na regiãoâ€.
“A crise mostrou a necessidade de mudar o rumo das políticas econômicas e de colocar a geração e a qualidade do emprego como um objetivo fundamental, pois essa é a maneira mais efetiva de influir na qualidade de vida das pessoasâ€, destacou o Diretor Regional da OIT.
Maninat acrescentou que “será necessário continuar por este caminho para consolidar a recuperação econômica e para que isso se reflita na qualidade de vida das pessoasâ€, tal como propõe o Pacto Mundial para o Emprego, aprovado na OIT por representantes de governos, trabalhadores e empregadores dos Estados Membros da Organização em junho de 2009.
“O conteúdo deste Pacto Mundial transcende a crise, pois se trata de uma ferramenta essencial para conseguir uma recuperação que vá além das frias cifras de crescimento econômico, estabelecendo um vínculo real entre o progresso social e o desenvolvimento econômico em nossa regiãoâ€, acrescentou Maninat.

Leia a íntegra do relatório (em espanhol)
Leia o resumo executivo (em espanhol)
Leia o prólogo do Panorama Laboral (em espanhol)

11.01.2010

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