OIT diz que o desemprego está aumentando devido
à crise econômica
GENEBRA (Notícias da OIT) – A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou hoje (28/05/2009) novas projeções sobre o mercado de trabalho para 2009, que mostram um novo aumento do desemprego, do número de trabalhadores pobres e das pessoas com empregos vulneráveis.
Ao apresentar os novos dados, o Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia, disse que a Conferência Internacional do Trabalho, que será realizada em Genebra entre 3 e 19de junho, discutirá um “pacto mundial para o emprego” de emergência planejado para promover uma resposta política coordenada à crise mundial de emprego.
“Estamos vivendo um aumento sem precedentes no nível mundial de desemprego e do número de trabalhadores em risco de cair na pobreza”, disse Juan Somavia. “Isto é motivo de séria preocupação. Para evitar uma recessão mundial, necessitamos um pacto mundial para o emprego que faça frente a essa crise e mitigue seus efeitos sobre as pessoas. A decisão é nossa e o momento de atuar é agora”.
No relatório – intitulado Atualicação das Tendências Mundiais de Emprego, maio 2009 – a OIT aumenta suas projeções sobre o desemprego e apresenta um intervalo de entre 210 e 239 milhões de desempregados em nível mundial para 2009. Isso corresponde a taxas de desemprego mundial de 6,5 e 7,4 por cento, respectivamente.
O relatório assinala que um aumento de entre 39 e 59 milhões de desempregados, comparado com cifras de 2007 (1), é o cenário mais provável. A cifra final dependerá da efetividade dos gastos fiscais dos governos e do funcionamento do setor financeiro. Neste sentido, Somavia recordou as importantes decisões adotadas pelos líderes do G20 durante seu encontro em Londres.
As projeções atualizadas sobre a pobreza global assinalam que 200 milhões de trabalhadores estão em risco de passar a fazer parte do segmento de pessoas que vive com menos de dois dólares por dia entre 2007 e 2009.
A crise está golpeando de maneira dura os jovens. Espera-se que o número de desempregados jovens aumente entre 11,6 milhões e 17,7 milhões entre 2008 e 2009. Prevê-se que a taxa de desemprego dos jovens aumente cerca de 12,2 por cento em 2008 para 14,1 a 15,1 por cento em 2009.
Juan Somavia advertiu que experiências passadas sugerem que, depois de uma recuperação econômica, os mercados laborais demoram, em média, 4 ou 5 anos para recuperar-se. Existe um risco de que a crise mundial de emprego “persista”durante vários anos.
“É por isso que a Conferência Internacional do Trabalho discutirá um pacto mundial para o emprego que colocará a criação de emprego e a proteção social no centro das políticas de recuperação”, disse Juan Somavia. “O objetivo do pacto é assegurar que tanto as medidas de estímulo de caráter extraordinário, junto com outras políticas implementadas pelos governos, enfrentem da melhor maneira as necessidades das pessoas que necessitam proteção e trabalho, para assim acelerar uma recuperação combinada da economia e do emprego”.
O relatório da OIT assinala que 2009 registrará o pior resultado até esta data em termos de criação de emprego em nível mundial. O relatório sublinha que a força de trabalho em nível mundial está se expandindo a uma taxa média de 1,6 por cento, o que equivale a cerca de 45 milhões de pessoas ingressando no mercado de trabalho anualmente, enquanto o crescimento mundial do emprego diminuiu para 1,4 por cento em 2008, esperando que caia ainda mais em 2009, até situar-se entre 0 e 1 por cento.
A OIT também disse que deverão ser criados cerca de 300 milhões de empregos entre 2009 e 2015 somente para absorver o crescimento da força de trabalho neste período.
Dados regionais chave
Nas economias desenvolvidas e na União Européia, prevê-se que o emprego total registre uma contração neste ano entre 1,3 a 2,7 por cento. É provável que a região represente entre 35 e 40 por cento do aumento total do desemprego em nível global, embora represente menos de 16 por cento do total da força de trabalho em nível mundial.
Na Europa Central (fora da União Européia) e nos países da Comunidade deEstados Independentes (ex-União Soviética), o número de desempregados poderá aumentar em até 35 por cento em 2009. Espera-se que o emprego total seja reduzido entre 1 e 2,8 por cento.
Na Ásia Oriental, estima-se que no início da crise havia 267 milhões de pessoas – que representam mais de um terço do total de trabalhadores – vivendo com menos de 2 dólares por dia. Havia, além disso, cerca de 12 vezes maior quantidade de pessoas com empregos vulneráveis do que sem emprego.
Na Ásia e Pacífico, prevê-se um aumento bastante moderado no níivel de desemprego, embora os trabalhadores e as empresas em indústrias orientadas para a exportação tenham sido muito afetados.
Na Ásia Meridional, o desemprego se aproxima de 5 por cento, embora cerca de 15 vezes maior quantidade de trabalhadores tenham trabalhos vulneráveis. Prevê-se que o número de trabalhadores que vivem com menos de dois dólares por dia aumente até 58 milhões entre 2007 e 2009.
Na América Latina, prevê-se que a taxa de desemprego aumente de 7,1 por cento em 2007 para entre 8,4 e 9,2 por cento em 2009.
A OIT projeta um aumento do desemprego no Oriente Médio de até 25 por cento em 2009, comparado com 2007, e de 13 por cento para a África Setentrional para o mesmo período. Espera-se que ambas as regiões tenham um aumento nos empregos vulneráveis. Cerca de 1 de cada 3 trabalhadores nestas duas regiões é um trabalhador vulnerável. Espera-se que esta proporçãso aumente para 4 de cada 10.
Na África Subsaariana, cerca de 73 por cento dos trabalhadores da região têm empregos vulneráveis, e este número poderia aumentar até mais de 77 por cento neste ano. A crise apresenta uma séria ameaça aos investimentos em infraestrutura e em bens de capital, que são cruciais para o desenvolvimento da região.O perigo potencial representado pelo protecionismo comercial global como resposta à crise não pode ser subestimado.
O Pacto Mundial para o Emprego: recuperação por meio de políticas de Trabalho Decente
Em outro relatório (2) que será discutido durante a Conferência Internacional do Trabalho, Juan Somavia diz que “se não se empreendem ações rápidas e audaciosas o emprego continuará deprimido muito tempo depois de que recuperem os mercados de valores, de que a economia mundial volte a registrar um crescimento positivo e de que a atenção dos meios de informação volte-se a outras questões. Existe um perigo muito real que, ao retomar-se o crescimento, se cante vitória prematuramente e se afaste a atenção das cinzas que encobrirão a soterrada e persistente crise do emprego”.
Ao ressaltar os riscos envolvidos numa crise prolongada de emprego, Juan Somavia acrescentou que, se não for controlada, “a crise mundial de emprego e de proteção social que afeta as famílias dos trabalhadores e das comunidades locais terminará convertendo-se em uma crise política de proporções muito maiores. O tenaz fermento da recessão social já está em ação. Estas tensões aumentam com a grande inquietude provocada pelos preços persistentemente altos dos alimentos, as grandes disparidades de renda entre ricos e pobres, e o debilitamento das classes médias”.
“Um Pacto Mundial para o Emprego estimularia a economia real e daria apoio às famílias trabalhadoras através de medidas orientadas a fomentar o emprego. O tempo de recuperação da crise seria reduzido. Também se ativaria a recuperação do emprego logo que fosse possível junto com a retomada do crescimento econômico”, acrescentou Juan Somavia.
(1) Em previsões anteriores, a OIT calculava que era provável que o desemprego em nível mundial aumentaria de entre 24 milhões (taxa de desemprego de 6,3 por cento) para 52 milhões de pessoas (7,1 por cento) em nível mundial de 2007 para 2009.
(2) Enfrentando a crise mundial do emprego. A recuperação mediante políticas de trabalho decente. Memória do Diretor-Geral, Conferência Internacional do Trabalho, 98ª Sessão, Informe I